AGRUPAMENTO DE ESCOLAS TOMAZ PELAYO

ORGANISMO DO ESTADO APRESENTAM GARANTIA JOVEM

Decorreu no passado dia 8 de maio, no auditório do Museu Municipal da Póvoa de Varzim, uma sessão de divulgação do programa Garantia Jovem, criado pela União Europeia para enfrentar o problema do desemprego jovem. Em Portugal, com taxas a rondar os 37%, uma das maiores da Europa, o referido programa tem como destinatários os jovens até aos trinta anos sem qualquer ocupação. São os chamados jovens NEET (Not in Education, Employment or Training) que os brasileiros adaptarem para Nem Nem.

O programa Garantia Jovem é um compromisso para que gradualmente e num prazo de 4 meses após o jovem sair do sistema de ensino ou do mercado de trabalho, lhe seja feita uma oferta de emprego, de continuação dos estudos, de formação profissional ou de estágio. A Garantia Jovem não é uma garantia de emprego. Mas tem como objetivo dar aos jovens, o mais rapidamente possível, uma oportunidade der qualificação ou de contacto com o mercado de trabalho, com vista a combater a inatividade e o desemprego dos jovens.”

Na sessão, participaram, como oradores, César Ferreira do Instituto de Emprego e Formação Profissional, João Barbosa da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional, Vítor Pinheiro do programa Garantia Jovem, Manuel Barros do Instituto Português do Desporto e da Juventude e Ana Venâncio do Instituto da Segurança Social.

Abriu os trabalhos Vítor Pinheiro, Diretor do Programa Garantia Jovem. Para contextualizar a criação do programa, referiu alguns dados sobre a realidade do desemprego jovem na Europa e em Portugal. À imagem do que fizeram os restantes oradores que se lhe seguiram, deu a conhecer as medidas adotadas pela instituição a que preside para enfrentar o problema da falta de ocupação dos jovens.

João Barbosa, da ANQEP, como seria de esperar, enfatizou o papel dos Centros para a Qualificação e o Ensino Profissional junto dos jovens desocupados, recordando que para além de manterem as atribuições dos antigos Centros Novas Oportunidades, têm agora a responsabilidade de informar, orientar e encaminhar os jovens que não estejam a estudar ou a trabalhar. Defendeu a ideia, sustentadas por todos os oradores, de que somente haverá resultados se todas as instituições trabalharem em rede: “hoje é o tempo do trabalho em rede”, sintetizou ele.

Manuel Barros, do IPDJ, aproveitou para exaltar a capacidade dos jovens de encontrarem soluções para os seus problemas. Referiu que por todo o lado se assiste ao nascimento de projetos criados por jovens empreendedores, desde as universidades ao mundo rural, da economia social ao lazer, da saúde aos setores industriais tradicionais. Valorizou o papel do voluntariado jovem na aquisição de competências essenciais, importantes para a obtenção de trabalho. A propósito referiu que estão as ser preparadas áreas de especialização do voluntariado juvenil, o que foi ao encontro da informação avançada por João Barbosa de que, tal como em alguns países europeus, também em Portugal se está a pensar em avançar com reconhecimento e validação de competências dos jovens.

Na opinião de Manuel Barros, os jovens devem adotar uma atitude mais proativa, visando criar o seu próprio posto de trabalho. Tendo por base lógicas de empreendedorismo, deverão apostar na oferta de serviços ou soluções ao mercado, procurando dar a conhecer as suas capacidades, as suas competências, não se limitando a responder a ofertas de trabalho.

Sem ignorar o peso da responsabilidade individual na resolução do problema do desemprego, um pouco ao arrepio do defendido pelos oradores que lhe antecederam, Ana Venâncio, da Segurança Social, defendeu que não se pode passar para os jovens toda a responsabilidade na resolução do problema do emprego. Sem descartar a responsabilidade pessoal, defendeu que cabe à sociedade, ao Estado “apresentar aos jovens, concertadamente, envolvendo-os, um painel de soluções”. Ilustrou a sua ideia com a alegoria das abelhas que, ao sentirem-se ameaçadas, atacam em seta. Segundo ela os parceiros do programa Garantia Jovem devem adotar a mesma estratégia. Caso contrário não conseguirão os resultados esperados.

Para reforçar a ideia anterior, da necessidade de trabalho colaborativo, recorreu a mais uma alegoria. Os ouriços, sendo muito sensíveis às mudanças térmicas, para sobreviverem a longos períodos de frio, aconchegam-se para elevarem a temperatura dos corpos. Como têm espinhos, acabam por se picar. Mas esse é o preço da sobrevivência. Os que se afastam, incomodados com os picos, acabam sós. Os que que permanecerem juntos conseguirão sobreviver ao frio, os que se isolaram acabarão por morrer.

A terminar usou da palavra o responsável do IEFP que resumiu sessão e abriu o debate, debate onde a questão mais suscitada foi a da necessidade de encontrar soluções para os jovens em risco.

Manuel Rodrigues

 

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