AGRUPAMENTO DE ESCOLAS TOMAZ PELAYO

SESSÃO EM MATOSINHOS COMEMORA DIA INTERNACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO

Por decisão da UNESCO, todos os anos, a oito de Setembro, o tema da alfabetização ganha o estatuto próprio de um dia internacional. A oportunidade é aproveitada, um pouco por todo o mundo, para se refletir sobre uma realidade infelizmente ainda demasiado presente no mundo actual, com maior incidência nos países menos desenvolvidos: cerca de 25% da população, ou seja 900 milhões de pessoas, não sabe ler nem escrever.

É por todos reconhecida a existência de uma forte correlação entre educação e desenvolvimento. Daí a urgência em erradicar o analfabetismo, seja nas sociedades carentes de desenvolvimento, seja nas ditas desenvolvidas, onde o nosso país poderá ser incluído. Se olharmos para as estatísticas, em 2011 existiam em Portugal meio milhão de analfabetos, isto é “pessoas residentes, com mais de dez anos, que não sabem ler nem escrever, isto é, incapaz de ler e compreender uma frase escrita ou de escrever uma frase completa”. 1)

Se no passado o analfabetismo literal era um grave problema pessoal e social, a verdade é que neste mundo de crescente complexidade, o problema assume outra dimensão. Daí, a urgência em erradicá-lo. Para o efeito, a APEFA - Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos propôs, no passado dia oito de setembro, em sessão promovida em colaboração com o município de Matosinhos, a criação de um Plano Nacional de Erradicação do Analfabetismo, até 2020. 

Sabendo que, neste domínio, o país assistiu nos últimos anos a uma inflexão na área da educação e formação de adultos, na linha do que na oportunidade afirmou a Dr.ª Olívia Santos Silva, a proposta da APEFA faz todo o sentido. Acresce que, como foi enfatizado por todos os oradores na sessão ocorrida em Matosinhos, ao já crónico analfabetismo literal veio hoje juntar-se o alfabetismo funcional, que nos remete para o conceito de analfabetismo caro a Paulo Freire: "A alfabetização é mais, muito mais, que ler e escrever. É a habilidade de ler o mundo, é a habilidade de continuar aprendendo e é a chave da porta do conhecimento". O problema é pois mais sério do que à primeira vista pode parecer, conforme alertou o professor José Pedro Amorim: “Temos meio milhão de portugueses que não sabem ler nem escrever, mas muitos outros estão abaixo da entrada na educação ao longo da vida, revelando incapacidade para elaborarem um Portefólio.”

Somente uma forte mobilização social ao nível das comunidades locais, num tempo de desresponsabilização da administração central, será possível acabar com o analfabetismo e melhorar os níveis de literacia da população portuguesa. Isso mesmo referiu o vereador da educação de Matosinhos, que assumiu inteira disponibilidade para liderar um projeto local nesse domínio: “ninguém melhor do que os agentes sociais e da educação de um concelho para desenhar e operacionalizar as políticas locais de educação e formação de adultos.”

No essencial, todos estiveram de acordo sobre a necessidade de mudar de políticas, dando à educação de adultos a importância que ela merece, apostando mais nas pessoas analfabetas ou com baixas escolaridade, contrariando o que vem acontecendo nos últimos anos. E tal como afirmou o professor José Pedro Amorim, pouco se conseguirá se não se apostar verdadeiramente na capacitação dos agentes, na sua profissionalização, condição essencial para se desenvolver uma verdadeira política de educação e formação de adultos em Portugal.

 1)    Fonte INE, tendo por base os censos realizados em 2011.

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